Reuso, consertos e ressignificação de materiais

Retomando (dentro do contexto #nos) o que comecei a contar aqui:

(…) estou focando minha pesquisa de doutorado na criação de alternativas que permitam que a sociedade reutilize uma maior quantidade de materiais, reduzindo o volume de lixo que precisa ser gerenciado e criando oportunidades socioeconômicas, criativas e educacionais em contextos locais. Estou particularmente interessado em práticas ligadas ao conserto, adaptações, transformações e reconfigurações de coisas descartadas. Nos meses recentes, conduzi dois estudos aqui no Reino Unido: os repair diaries , em que pedi pra um grupo de pessoas que ficassem duas semanas tentando consertar alguma coisa e mantivessem um diário durante o período; e uma série de entrevistas com pessoas que atuam em campos afins para tentar compor um mapa de ecossistema do reuso de materiais. Estou trabalhando minha pesquisa em três eixos: uma crítica ao discurso das “cidades espertas”; a compreensão do reuso como alternativa mais apropriada do que a reciclagem, incineração ou aterramento; e a busca de caminhos para a gestão coletiva / aberta / comum de objetos descartados.

No momento, estou terminando de organizar os dados que levantei com os dois estudos, para sistematizá-los e começar a pensar em soluções para esse contexto que aproximem tecnologias (em especial de internet das coisas), design aberto e a ideia algo difusa de “confiança” ou “confiabilidade”. Em algum momento eu cheguei a imaginar que passaria a criar protótipos em breve, mas a verdade é que minha pesquisa ainda precisa seguir em um ritmo mais denso e portanto lento ao longo dos próximos anos. Não me adianta então ter pressa nesse assunto. Ainda assim, estou aberto a conversar sobre o que tenho encontrado pelo caminho.

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Boa, uma forma de evitar a obsolescência programada desses equipamentos!

@efeefe, é muito sem noção minha comparar com o que vejo nas comunidades e aqui em casa toda hora?
Tem muito de reuso nesses lugares de forma bonita, lembro que pessoal costumava comparar com um conceito de bricolagem. Enfim, na real, cresci uma parte da vida em barracos de tábuas descartadas de grandes obras de odebretis da vida etc, vi a vida toda meu pai reaproveitar tudo que era possível, mas, quando falo em comparação é que “repair shop” pode acionar muitas outras coisas e realidades mundo afora, certo?

Como a coisa vai ser lenta por aí (no teu lento), vou tentar acompanhar a conversa. Aqui tenho dificuldades para conseguir peças boas para as bicicletas. Já soube que tem uma feira a uns 10Km daqui que pode ter coisas que me interessem, mas, a piração é “pensar” se faz sentido para outras pessoas, quem são elas, se podemos “pensar” em “mercados” adequados, #safetyplaces para quem gosta/quer/precisa tocar a vida com suas bicicletas mais antigas e não toda a parafernalha de bicicletas da moda de hoje, que não deixa de ser legal em outros sentidos mas que não sei como eu faço (se preciso, se quero) a relação com o monarkeiro de caixote de plástico na garupa, que ideologicamente se me aponta como sujeitos a seguir e ao mesmo tempo temo pelo que a “marginalidade” (na falta de um termo melhor) dessas realidades (estou mergulhado numa região cercada de sistemas prisionais e policiais, bocas e churrasquinho da esquina, funk, brega e sertanejo, praia de periferia, extremo oriental das Américas), ou melhor, como as relações entre minha figura institucional (esteja em que projeto eu tiver), minha figura física e de caracteristicas sociais e tantos outros elementos podem se compor nessa mistura. Enfim, cabeça fervendo muito ainda e sempre. Parar a carta aqui e continuar depois ali.

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É justamente essa potência que eu penso em ativar. Como reconhecer isso como uma força criativa e que deve ser considerada como parte integral da economia? Mesmo às margens, mas não “fora”. Manja?

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