Rede Tropixel: (re)conectando

Oi. Eu sou o Felipe. Se a gente já se conhece, você sabe que eu gosto de conversar com pessoas que querem um mundo melhor. Eu aprendo bastante com elas. Com vocês, se eu já tive essa sorte. Pode ser que saibas que ao longo das duas últimas décadas, eu me dediquei bastante a criar espaços para essas conversas - através da internet, mas também fora dela. Foi assim no Projeto Metá:Fora e depois na MetaReciclagem. E em sites como o Liganois, o Conversê da Cultura Digital. E ainda no projeto Ciência Aberta Ubatuba e em muitas tentativas em torno do UbaLab.

Nos últimos anos eu tenho trabalhado com uma ferramenta aberta e autônoma para conversas públicas (e civilizadas) chamada discourse. Quando eu a descobri, ela parecia resolver grande parte dos problemas que a gente tinha com as listas de discussão no passado, sem depender das plataformas proprietárias de conversa em comunidades como o Facebook ou o Whatsapp. Infelizmente, chegou tarde para as redes mais ativas das quais eu participava.

No ano passado, cheguei até a configurar uma instância do discourse, com a intenção de abrir um espaço para recuperar dinâmicas que eu sentia que haviam se esvaziado ao longo dos anos. Chamei de maci - meio ambiente, cidadania e inovação. Contei sobre isso aqui. Só faltou combinar com os russos, como dizia Garrincha. Não se cria uma comunidade sem ter pessoas interessadas em conversar. Menos ainda em um endereço novo, com uma proposta difícil de entender. O site foi pouco usado ao longo de muitos meses, e em fevereiro eu decidi que não renovaria o domínio.

Acontece que ao longo do mês passado, um monte de coisas aconteceram. Acho que tudo começou com uma provocação de uma amiga que topou com uma cópia do livro organizado pela Karla Brunet depois que organizamos o primeiro festival Tropixel, em 2013. Essa amiga me perguntou “em 2023 vai ter comemoração dos dez anos de Tropixel”? Eu ainda não havia pensado nisso, mas percebi também que em outubro de 2020 serão sete anos passados.

O mundo está estranho. Eu estou fora do país, em uma ilha estrangeira. Mais isolado ainda, com dinâmicas de quarentena e mais mudanças pela frente. Sentia falta daquela conversa continuada que a gente tinha nos velhos tempos das redes, tempos em que parecia que estávamos mudando as coisas e influenciando o mundo. Tinha uma rede de colaboração, trabalho coletivo e aprendizados que era também uma rede de afetos, e de apoio.

E foi nessa nostalgia de outros tempos, junto com minha vontade de manter os laços com o Brasil - e com Ubatuba, onde quero voltar a organizar futuras edições do festival Tropixel junto com tanta gente importante que continua por lá - que em algum momento comecei a convidar as pessoas para conversarem em um grupo no Telegram. Em princípio, somente as pessoas que haviam participado ou se envolvido com o Tropixel. Rapidamente elas começaram a chamar outras, e a conversa se espalhou pra outras pessoas que estavam em vários lugares, e que não necessariamente tinham pisado em Ubatuba (ou em Juiz de Fora) alguma vez na vida.

A nossa cena andou se pulverizando, né? Foi uma série de 7 x 1, como falou um profeta lá no Telegram. A gente tá espalhado, e foram muitos anos de precisar se reinventar e de construir cada 1 seu próprio canto, e de lidar também com outras questões, outras gentes, outras lutas. Mas aqueles laços podem permanecer. A gente começou a organizar o Boteco Tropixel aos sábados (mas abre quando tiver gente interessada). Sim, pela internet, videoconferência, cada 1 isoladx no seu canto. Mas a vontade de conversar é grande.

O grupo Tropixel no Telegram bombou. E aí foi que o Telegram ficou pequeno. Surgiu a ideia de montar esse espaço aqui - não para substituir, mas para complementar. Será que agora vai?

Passei umas horinhas hoje configurando esse site com a ajuda de um querido amigo que não encontro “de verdade” há tempos - mas acho que essa é a condição usual dos dias atuais. E em algum momento ali no meio da configuração, decidi recuperar o backup do maci.global e trazer aquelas conversas para cá. Vai ficar meio confuso, talvez haja menções ao outro site. Será que as pessoas se incomodam? Será que quem participou de conversas no MACI vai querer aparecer no Tropixel? Me avisem aí, que se for o caso eu excluo ou escondo tudo. Mas acho que a intenção de conversar em público é comum entre maci e tropixel. Vamos indo.

A gente pretende fazer uma programação em Julho. Mas isso aqui se pretende um espaço permanente. E pode servir a outras comunidades que precisem de um lugar para conversa estruturada e pública, em uma infraestrutura que não pertence a nenhuma grande corporação.

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Muito legal ver que a provocação gerou desdobramentos. Eu sigo em Ubatuba sonhando e construindo futuros possíveis… Tomara que esse encontrão de 10 anos aconteça!

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