Nossas buscas

Faz tempo que a gente não se encontra, né? A pandemia da covid-19 não vai ajudar nesse sentido. Então que tal contar aqui o que estamos fazendo nos dias de hoje? Quais são os projetos que estamos tocando, ou procurando maneiras de tocar? Que tipo de ajuda a gente quer? Queremos pedir a opinião de outras pessoas sobre quais ideias, desejos, experiências? Vamos abrir essa conversa em uma feira livre aqui embaixo…

Já contei aqui ao lado sobre o lugar que ocupo hoje em dia, agora vou falar um pouco sobre o que estou desenvolvendo. No momento estou focando minha pesquisa de doutorado na criação de alternativas que permitam que a sociedade reutilize uma maior quantidade de materiais, reduzindo o volume de lixo que precisa ser gerenciado e criando oportunidades socioeconômicas, criativas e educacionais em contextos locais. Estou particularmente interessado em práticas ligadas ao conserto, adaptações, transformações e reconfigurações de coisas descartadas. Nos meses recentes, conduzi dois estudos aqui no Reino Unido: os repair diaries, em que pedi pra um grupo de pessoas que ficassem duas semanas tentando consertar alguma coisa e mantivessem um diário durante o período; e uma série de entrevistas com pessoas que atuam em campos afins para tentar compor um mapa de ecossistema do reuso de materiais. Estou trabalhando minha pesquisa em três eixos: uma crítica ao discurso das “cidades espertas”; a compreensão do reuso como alternativa mais apropriada do que a reciclagem, incineração ou aterramento; e a busca de caminhos para a gestão coletiva / aberta / comum de objetos descartados.

Adoraria escutar sobre outras pessoas interessadas nesses temas, ainda mais se tiverem ideias sobre maneiras de mobilizar tecnologias abertas para estimular o reuso de bens descartados em contextos urbanos.

Meu blog de pesquisa fica aqui:

https://is.efeefe.me/opendott

Outra das minhas buscas atuais é justamente esse ambiente aqui. Tropixel começou em 2013 como um festival em Juiz de Fora e Ubatuba, inspirado pela rede Pixelache, e organizado por um monte de gente interessante. Nos anos seguintes, fizemos mais algumas edições, de um pequeno Ensaio Tropixel em 2014 até um ambicioso Tropixel Labs em 2015 que contou com menos recursos do que esperávamos. No ano seguinte, já na esteira das inúmeras crises e cortes de verbas da realidade política golpista e contracivilizatória do país, tivemos que cancelar uma edição que aconteceria na Bahia.
Tropixel ficou de lado por alguns anos. Os sites saíram do ar. Eu devo ter backup de tudo, adoraria ajudas pra colocá-los novamente no ar. Mas nos últimos meses, entrando no modo quarentena por conta da pandemia e sentindo saudades das pessoas do Brasil, eu já estava predisposto a tentar algum tipo de reconexão. Foi quando a @sofiagalvao comentou que havia encontrado em Ubatuba uma cópia do livro publicado depois do primeiro Tropixel (sim, já contei essa história aqui mas achei que valia a pena me repetir) que decidi cutucar algumas pessoas. Comecei chamando todo mundo que tinha participado de alguma edição do Tropixel, mas o grupo começou a crescer para além. Passamos a nos encontrar aos sábados no Boteco Tropixel, uma sala de videoconferência pra conversas sem pauta. E aí surgiu essa ideia de pensar em algo mais estruturado, para nas palavras de um palhaço “construir protocolos de ação”.
Isso tudo conflui em Tropixel Nós. Ainda difícil de entender, mas aberto a perguntas e interferências. Não vai ser um “evento” no sentido tradicional, mas quero pensar em maneiras de conectar pessoas com outras pessoas com quem deveriam conversar. Os temas estão sendo colhidos por aí. Como vamos avançar?

Pra finalizar por enquanto (ou não), uma última busca desses tempos: no ano passado eu e algumas colegas montamos um curso online sobre inovação cidadã para a secretaria de cultura de uma cidade da região metropolitana de São Paulo. Hoje está em uma instância do Moodle de acesso restrito. Quero disponibilizar esse material. A secretaria de cultura está de acordo. Mas não gosto do formato “simulação de sala de aula” do moodle. Queria conversar com pessoas interessadas em transformar isso em um projetinho e pensar em formas mais interessantes de compartilhar.

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No momento estou em retiro em algum lugar as margens do Atlântico com Helena Cassal Longo e Pedro Regis e nossos dois cachorros: Shelcock e Estrela. Estou particularmente interessado na prática da meditação do silêncio como uma tecnologia do invisível http://bailux.org/?p=3962 Tenho estado ocupado em consolidar uma Estação telemática http://bailux.org/?p=4408 no compartilhamento de práticas e saberes que transitam entre o presencial e o virtual,não necessariamente nesta ordem (:

Nossas buscas em comum… felicidade individual e coletiva, imagino eu. Justiça, barriga cheia, saúde e paz interior!
Minhas buscas são construídas a cada dia.
Hoje estou com foco na educação para a primeira infância, justa e de qualidade para todxs!

Tenho um sonho: implementar uma creche Waldorf pública… que se ampliará para uma escola de ensino infantil e assim por diante!
Tenho objetivos: finalizar pedagogia. estudar e vivenciar a pedagogia Waldorf.

Mais um sonho: implementar uma horta comunitária urbana no bairro do Ipiranguinha com as mulheres do bairro.
Tenho objetivos: me unir a pessoas que acreditem neste sonho e que possamos cooperar no sentido de escrever um belo projeto para que um belo recurso o faça viável!

Busco ainda me capacitar cada vez mais na pedagogia de emergência para trabalhar com crianças em situação de traumas recorrentes, como é o caso das que vivem em comunidades de alta vulnerabilidade social. Quero que tudo isso aconteça pelas vias públicas, com recurso do governo e que se apropriem do que deve ser feito pelo poder público… será o sonho mais difícil de alcançar?

E por aí vai… buscas amplas… que reverberam nas minhas pessoais, claro!

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Negócio agora é conseguir um outro doutorado e curtir um pouco o trabalho de pesquisa com sossego, se for possível, conectando viagens e pesquisa, trabalho e mobilidade. Ainda não sei exatamente o que é, mas sei que envolve as bicicletas, as Monark Ipanema 1982.

Meus interesses giram em torno do que chamo organização-tecnologias, principalmente as tecnologias de gestão, logo, de prática política. Isso envolve, por exemplo, compreender como um viés de tecnopolítica pública (agroecológica e orgânica), acaba não dando conta de favorecer a quem deveria.

Venho já tem algum tempo pensando , inicialmente, na incoerência de se falar em responsabilidade social corporativa como estratégia para qualquer coisa, depois em corporate malfeasance, inspirado no trabalho de gente como a do corpwatch e mais recentemente em um termo que tá meio na moda *compliance* de entidades públicas principalmente na questão de criminalidade econômica, tenho estado próximo a quem faz uma leitura jurídica dogmática disso.

Outro eixo de atuação que venho dialogando sobre é justamente o de realidades como essa rede e suas produções na formação de pessoas para tocarem os futuros. E aí nesse caso toda essa conversa dos labs, comum e inovação cidadã é mais do que inspiradora. Pessoal lá da administração não se aṕroxima em nada disso, exceto por uma minoria da minoria que trabalha temas como “organizações horizontais”. E a administração como é hoje, voltada para supostas realidades empresariais, só serve de fato para manter o prestígio e os bem das próprias Big Business Schools.

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