Democratizando o acesso ao IPFS

Continuando a discussão do Tropixel - 28/06/2020:

Tentando responder a problematização do @efeefe de que IPFS é difícil de usar com manuais, tutoriais e ilustrações. Por que cada pessoa aprende de um jeito.


Literatura pra quem lê

A internet está cheia de artigos de lixo quando alguém faz uma busca sobre tutoriais de IPFS em português como por exemplo, mas não limitado a blogs cheios de anúncios com pouca informação e muito backlink pra ganhar SEO ou páginas de venda de produtos disfarçada de tutorial. Eu não estou aqui pra criticar a forma errada como as pessoas usam a internet, até porque eu não sou o dono da certeza, mas eu fiz o favor de compilar uma lista só com o que é informação útil segundo a minha interpretação:

  • {level easy} Blog da Cloudflare (in engrish pra quem understende) sobre a diferença entre a internet convencional (essa aqui) pra como funciona com IPFS. Obviamente estou fazendo jabá de graça pra essa gigante da internet que já é maior que a Google, mas clica no link quem quer.
  • {level normal} Tutorial: Como hospedar um site no meu próprio computador (tradução do guia original). O legal de se aprender aqui é que o site vai estar disponível via IPFS pra quem tem e via internet “convencional” graças aos gateways.
  • {level hard} Blog do Belisário na Rede Metareciclagem, lendária, incidental e profética última publicação em 2016 antes do site sair do ar e ser arquivado no Github. Ensinando a usar IPFS num tempo em que ainda era papo de nerd (??? e ainda é!).

Botando a mão na massa pra aprender

{level easy}: IPFS Desktop - o conhecimento técnico necessário é achar o link pra Windows, Mac, Ubuntu, BSD, Linux, etc. O restante do processo é o normal de instalar e usar qualquer outro aplicativo para seres humanos.

{level normal}: Gateways públicos permitem acessar conteúdo da IPFS via web. Isto serve pra armazenar arquivos e sites. Alguns exemplos: Manifesto Nartisan garimpado da lista metarec e preservado pra sempre (??? carece de fontes); Acervo Apollo Archives - as imagens são pesadas; Acervo XKCD armazenado no IPFS via IPLD.

{level hard}: Tutorial moderno pra quem é da linha de comando do Linux - The ArchWiki is my sheppard, I shall not Google ™


Desenhando pra explicar

Eu vou admitir, ninguém ainda criou uma forma amigável usando IPFS de navegar pelo conteúdo. Este é um trabalho para o pessoal da criatividade, da magia e da bruxaria das webs, dos mangue boys e das mangue girls.

IPFS ainda é usado principalmente para armazenamento de arquivos (uma nuvem que não vai sair do ar quando a Dropbox falir ou o Megaupload for confiscado pela polícia), e para compartilhamento de arquivos.

Por exemplo, uma conversa hipotética de outro dia, onde o @efeefe solicitou acesso a um arquivo que eu tinha no computador:

[efeefe] Bom dia, Iuri! Tu tem o manifesto nartisan em PDF?
[iuri] Sim.
[efeefe] Pode me mandar?
[iuri] Posso, consigo.
[efeefe] Tu quer me mandar?
[iuri] Não.
[efeefe] Mas vai?
[iuri] Com certeza, se tu pedir.
[efeefe] Por favor, manda pra mim o manifesto nartisan, Iuri?
[iuri] Perfeito. Porque é que tu tem que complicar tudo? Tu não consegue simplesmente pedir as coisas? De qualquer forma, We Transfer ou IPFS?
[efeefe] Nunca usei IPFS, por aqui a gente usa wetransfer rsrsrs
[iuri] Já te mostro como funciona, só um minuto…
[efeefe] ok
[iuri] É só clicar no link: https://ipfs.io/ipfs/QmTH84rsKzLVLwUTfJaerkhazLd5HuvWpS3tVsX1R8Lo2R?filename=thenartisanmanifesto.pdf
[iuri] Tu sabe clicar em link né?
[efeefe] kkk vou tentar. vlw
[efeefe] Deu certo, demorou um pouco mais abriu aqui. Obrigado Iuri, tu é muito gentil.
[system] O usuário iuri desconectou. Mensagem: vlw flw abs pdc

Como é possível ver, é mais fácil compartilhar arquivos do que conversar com certas pessoas. Então esta tecnologia é mais fácil de usar do que lidar com gente na maioria das vezes.

Algumas imagens ilustrando como eu fiz pra compartilhar o arquivo usando IPFS Desktop pra Windows no meu computador de trabalho:


Uma fotografia de tela mostrando como usar o menu de contexto do Windows para compartilhar o arquivo via IPFS (clicar com o botão direito no arquivo, simples!)


O arquivo já apareceu no meu IPFS Desktop do Windows e agora eu posso dentre outras coisas copiar o link de compartilhamento. Este passo pode ser pulado desa vez porque o Windows já tinha copiado o link no passo anterior, mas é útil saber disto pra achar facilmente o link de compartilhamento de arquivos antigos, e também ir se familiarizando com o IPFS Desktop.


O IPFS Desktop dá um link de um gateway público (neste caso ipfs.io). Estes gateways públicos são como uma ponte entre a internet convencional (navegadores web, http, https, etc.) e o IPFS.


Cabe notar que quando eu abri no meu navegador o link, a URL na barra de endereço mudou porque eu uso a extensão no navegador IPFS Companion. A extensão detecta que eu tenho IPFS rodando localmente e abre o arquivo que já está no meu computador, economizando um download e abrindo o arquivo mais rápido.


Eu cheguei a “pinar” o arquivo em um servidor remoto pra ajudar a servir o arquivo (já que o @efeefe poderia tentar abrir o arquivo só de noite quando o meu computador do trabalho já estivesse desligado). Todo mundo que “pinar” o arquivo (pode ser no IPFS Desktop também!) vai ajudar a “servir” o arquivo e manter ele disponível. Qualquer pessoa que adicionar o mesmo arquivo no seu IPFS local vai ajudar a “servir” ele também, porque o hash (esse número grandão que começa com Q) vai ser sempre o mesmo, se o arquivo for idêntico!

Eu cheguei a “pinar” o arquivo em um servidor remoto pra ajudar a servir o arquivo (já que o @efeefe poderia tentar abrir o arquivo só de noite quando o meu computador do trabalho já estivesse desligado). Todo mundo que “pinar” o arquivo (pode ser no IPFS Desktop também!) vai ajudar a “servir” o arquivo e manter ele disponível. Qualquer pessoa que adicionar o mesmo arquivo no seu IPFS local vai ajudar a “servir” ele também, porque o hash (esse número grandão que começa com Qm) vai ser sempre o mesmo, se o arquivo for idêntico!

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Obrigado, bacana a tecnologia e o manifesto, vou estudar mais sobre os dois!